nas
Nas
If hip hop should die before I wake/ I'll put an extended clip inside of my AK/ Roll to every station, murder the DJ/Roll up to every station, murder the DJ...

---Nas, Hip Hop is Dead

Nos últimos anos, críticos, fãs e artistas vêm lamentando o rumo que o hip hop tomou. O gênero virou um mega sucesso comercial, deu voz a uma geração e é a música do mundo ? ou, em outras palavras, tem muito de positivo. Mas, apesar de a platéia ser das mais diversificadas, muitas vezes parece que os artistas do hip hop passam longe dessa variedade. Quantas vezes, por exemplo, você já leu a mesma biografia: MC Fulano de Tal foi criado numa quebrada, mexeu com droga para pagar as contas, levou tiro, aprendeu sua lição e abraçou a música como uma saída alternativa? E quantas vezes mais você agüenta ouvir falar em roda de carro assim e assado, drogas, traseiro grande e puxar ferro? E diga lá: quantas vezes mais a gente vai ver vídeo de rap filmado em torno de uma piscina cheia de mulher seminua? Pois é, o hip hop com certeza põe a moçada para dançar. Mas ele faz alguém pensar? E o que aconteceu com aqueles bons tempos em que os rappers tinham personalidade e estilo diferentes? Será que o hip hop virou paródia de si mesmo?

São perguntas como essas que Nas quer colocar na roda com o seu mais novo álbum: Hip Hop is Dead. E ninguém melhor para levantar essas questões do que o homem considerado pela maioria como um dos cinco maiores MCs da história. Desde a sua brilhante estréia em 1994 com Illmatic até seu sucesso mais mainstream com o CD It Was Written, passando por hinos como Hate Me Now e One Mic e ainda seu lirismo venenoso que veio à tona em Ether, a habilidade de Nas de narrar histórias, educar e fazer a galera dançar ficou mais do que comprovada e fez dele uma lenda do universo rap.

E se por um lado Nas aprecia as boas coisas da vida, assim como eu e você, por outro ele não tem medo de meter a colher em assuntos mais complicados, como auto-estima, amor, a importância da educação e a necessidade de as pessoas prestarem atenção no que se passa no mundo. Já em termos musicais, Nas vai fundo na sua parceria com o DJ Premier, pega uma carona na batida R&B com Trackmasters e ainda faz uma ponte com uma coisa mais jazz ao lado do pai, Olu Dara. E é essa diversidade artística que Nas espera que sirva de influência para a próxima geração de MCs. "Há tanto rapper vendedor de cocaína e tanta gente se intitulando ?negão traficante' que eu fico me perguntado: Para quem é que eles vendem tudo isso? As pessoas parecem não saber que dá para falar de outras coisas.?

Mergulhe nos sons de Hip Hop is Dead. O sétimo álbum gravado em estúdio dessa talentosa criança é também uma chance de Nas detalhar o estado geral do seu amado hip hop. A faixa-título, produzida por Will.i.Am, arma a cena do maior pesadelo de Nas-que o hip hop desapareça da face da Terra. É uma acusação e um aviso a todos os selos, fãs e DJs que toleram a mesmice e não desafiam a arte. Mas longe de bancar o dono da verdade ou mesmo parecer cínico, Nas também fala do amor que sente pelo danado do hip hop em Can't Forget About You, uma faixa com inspiração jazzística assinada por Will.i.Am. Nas diz que a música, que tem uma pitada da inesquecível e clássica Unforgettable de Nat King Cole, serviu de inspiração por conta de sua eterna relevância. "Quem tem seus 70, 80 anos conhece a música e quem tem sete anos pode passar a conhecê-la, então era assim, estava bem no meio do caminho. E foi um daqueles momentos demais.?

Nas também se misturou com um bando de pioneiros da Costa Oeste. Na faixa QB OG, ele se juntou ao seu sócio Dr. Dre e o mais novo fenômeno da Costa Oeste, The Game. Dando corda tanto para o Queens quanto para Compton, as vozes de Nas e Game se encaixaram com tanta perfeição que você vai achar que eles vêm rimando juntos já faz tempo! Já Play on Player traz um Nas relaxado no melhor estilo Cali, junto com Snoop numa faixa melódica com a assinatura de Scott Storch. "Queria fazer coisas como gravar com Snoop, juntar a Costa Leste com a Oeste... Coisas desse nível, sabe? Fazia tempos que queria fazer essas coisas que fiz neste disco, e só para fazer coisas diferentes, que nunca havia feito antes.?

Uma das faixas mais comentadas e aguardadas deste CD é Black Republican, que é a primeira colaboração entre Nas e seu ex-rival Jay-Z. Produzida por L.E.S, um velho fazedor de batidas irresistíveis para Nas, a faixa tem cara de hino, vem cheia de moral e tem tudo que os fãs sonham em ouvir. Ao comentar a união, Nas fala entre sorrisos: "Isso é Ali e Frazier, é Ali e Foreman, é Ali e Ali, percebe??

Com Hip Hop is Dead, Nas mais uma vez desafia as normas gerais do mundo do som e experimenta brincar com um grupo eclético de produtores e colaboradores com quem nunca havia atuado antes. Ele posa de militante negro em Black Republican, de homem sábio em Can't Forget About You e de professor-inspirador na faixa de Kanye West, Let There be Light, além de ainda achar jeito de colocar todo mundo para dançar com Brazilian dimes em Hip Hop is Dead. Alguns dirão que o homem perdeu o foco, mas na verdade Nas está mesmo é mostrando que o rap pode ser um zilhão de coisas.

E que o hip hop está é mais vivo do que nunca.

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