Polícia matou 84% a mais e prendeu 2% a menos
No último semestre, marcado por ataques do PCC, policiais mataram 328 suspeitos
Além da queda em prisões, apreensões de armas também diminuíram; já homicídios de policiais sofreram aumento: 90,91%
ANDRÉ CARAMANTE
KLEBER TOMAZ
DA REPORTAGEM LOCAL
A polícia de São Paulo matou no primeiro semestre -período marcado pelos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital)- 84,27% pessoas a mais do que nos seis primeiros meses do ano passado.
Enquanto houve aumento de 84,27% na letalidade policial, o número de prisões efetuadas pela polícia sofreu redução de 2,6%. De 45.454, nos seis meses iniciais de 2005, para 44.270, no mesmo período deste ano.
De janeiro a junho de 2006, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo governo Cláudio Lembo (PFL), 328 suspeitos foram mortos por policiais civis e militares no Estado; no mesmo período do ano passado, 178 mortes foram contabilizadas. Durante todo o ano de 2005, foram cometidas 329 mortes atribuídas a policiais. Dessas, 278 ocorridas em confrontos com a PM, segundo o comando da corporação.
Por lei, o governo estadual é obrigado a apresentar publicamente os índices de criminalidade a cada três meses.
Ontem, a Secretaria da Segurança Pública divulgou os números referentes ao segundo trimestre, que incluem o período de 12 a 19 de maio, quando houve a primeira onda de ataques do PCC. O aumento de mortes entre um trimestre e outro é considerável. Foram 212 (abril, maio e junho) contra 116 (janeiro, fevereiro e março).
Na época dos ataques, o governo afirmou que, das pessoas mortas por policiais, 92 tinham ligação com os atentados da facção criminosa PCC.
Considerando-se as 328 mortes cometidas por policiais militares e civis em São Paulo, até o dia 30 de junho, a média diária é de 1,82. No primeiro semestre de 2005, esse mesmo índice de letalidade na ação de PMs e civis foi de 0,98 caso.
Entre as duas polícias, a Militar foi a que mais matou -como ocorre desde julho de 1995, quando o governo paulista começou a tornar público os números da violência no Estado.
Somente no primeiro semestre deste ano, PMs mataram 298 pessoas em São Paulo, contra 158 no mesmo período de 2005. O aumento foi de 88,61%. Os policiais civis também mataram mais agora (30 pessoas) do que nos primeiros seis meses de 2005 (20 mortes).
"A polícia não matou inocentes nos confrontos com o PCC", afirmou ontem o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante-geral da PM.
"O lado negativo é que morreram mais criminosos. O aumento é normal, mas o infrator se expôs mais", afirmou o coronel (leia texto abaixo).
O número total de apreensões de armas também sofreu uma queda: no primeiro semestre de 2005, 16.238 armas foram encaminhadas para os depósitos da Polícia Civil; neste ano, 13.437, ou seja, o período foi marcado por uma queda de 17,25% nas apreensões.
Policiais mortos
Ainda por conta da guerra travada entre criminosos do PCC e o Estado, o número de policiais civis e militares mortos nos primeiros seis meses deste ano também sofreu um aumento considerável em relação ao ano passado: 90,91%.
No primeiro semestre de 2005, 11 policiais foram mortos; no mesmo período de 2006, 21. Outros crimes, como o homicídio doloso (intencional), o seqüestro e o roubo a banco também aumentaram em todo o Estado (leia abaixo).
Os PMs mortos em 2006 foram 19; em 2005, nove, ou seja, 111,11% de aumento. Em 2005, entre janeiro e junho, dois policiais civis foram mortos em São Paulo; neste ano, o índice voltou a se repetir, apesar do PCC.
Maior letalidade
O ano de maior letalidade policial foi 2003, quando 915 pessoas (868 pela PM e 47 pela Polícia Civil) foram mortas. Somente no primeiro semestre daquele ano, 487 pessoas foram mortas durante ações nas quais policiais estavam envolvidos. A média diária foi de 2,66.
No período compreendido entre 1º de julho de 1995 até 30 de junho deste ano, policiais militares e civis mataram 5.473 pessoas em todo o Estado de São Paulo, ainda segundo os dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública. Desde julho de 1995 até hoje, 501 policiais civis ou militares foram mortos no Estado.
vencendo a invisibilidade
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| Re.Fem é rapper, videomaker e estuda publicidade |
Um grupo de mulheres provenientes de bairros da periferia carioca reuniu-se usando a arte para informar e protestar contra toda forma de violência e discriminação de gênero. Elas conseguiram driblar as dificuldades e hoje são profissionais competentes e realizadas. Desta união surgiram vídeos, músicas, uma Ong, e até um evento em comemoração ao Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha.
Nesta turma encontra-se a rapper Re.Fem (Revolta Feminina). O nome não é por acaso. Segundo a jovem, é uma forma de expressar sua indignação com a sociedade, onde os direitos femininos não são respeitados, sobretudo os das afro- descendentes. Moradora de Parada Angélica, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, já gravou vários CDs, participou de diversos programas de rádio, e ainda consegue tempo para se dedicar ao curso de publicidade:
“Eu sempre fui inquieta com uma série de coisas: a participação da mulher na sociedade, o extermínio de nossos jovens, nosso povo, nosso pensamento crítico... E aí, qual era o meu papel nisso tudo? Como reverter esse quadro? Quem quer ouvir uma jovem mulher negra, moradora da Baixada ou de qualquer outra periferia, se ela não tiver destaque nos meios de comunicação?”, questiona a também videomaker.
Através da música, Re.Fem encontrou uma forma de expressar o que pensa. Suas composições falam da luta contra o tabagismo, da eliminação da violência e da necessidade da valorização feminina. A preocupação com as questões de gênero e racial é tão forte que a jovem produziu um vídeo tentando recuperar a história e memória das mulheres dentro do hip-hop. O documentário Rap Veste Saia tem 18 minutos e através de trajetórias diversificadas atrai vários segmentos sociais para uma discussão mais profunda sobre igualdade de direitos. O filme integra ambos os sexos em prol de uma sociedade, como ela mesma diz, mais saudável:
“Minha maior dificuldade foi achar as mulheres que iniciaram esta história aqui no Rio. Ninguém sabia me dizer quem eram, onde estavam, e olha que perguntei aos caras da antiga que trabalharam com elas na época. Nisto já dá para ter uma noção da invisibilidade delas aqui no Estado. A nossa sorte foi quando entramos em contato com o DJ TR, que é um grande pesquisador da história do hip-hop e escritor também. Foi ele quem nos deu uma luz de onde poderíamos encontrá-las”, conta.
Para vocês entenderem melhor essa modalidade de mixtape, Eazy Kaos manda a idéia abaixo:
show do COOLIOo que será dia 16/09/2006.entrem no site na radio Estância fm 101,3 e ouça online a toda hora
Domingo das 20:30 as 00:00 dimensão Rap ...no comando copa
este programa ja esta no ar a 5 anos, sempre divulgando o trabalho da rapaziada da periferia confiram
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